O que restou do HEURO? Um terreno vazio, um projeto engavetado, e uma população ainda morrendo à espera de atendimento no combalido Hospital João Paulo II.
Durante mais de uma década, a promessa do Hospital de Urgência e Emergência de Rondônia 'HEURO' foi acalentada como um sonho de salvação — e morreu como tantas outras esperanças políticas neste estado.

Tivemos 3 governadores que prometeram o HEURO, Confucio Moura, Daniel Pereira e Coronel Marcos Rocha, vamos relembrar de algumas de suas falas:

🗣️ Confúcio Moura (PMDB) – Governador de 2011 a 2018

2014 – Apresentação do projeto na Bolsa de Valores de São Paulo (BM&FBovespa):

Leia Também:

“O hospital será referência na Região Norte e tem previsão de entrar em funcionamento no primeiro semestre de 2016.”

Na ocasião, o projeto do HEURO foi apresentado como parte do Programa de Parcerias Público-Privadas do Estado de Rondônia, com previsão de investimento de R$ 2,7 bilhões.


🗣️ Daniel Pereira (PSB) – Governador interino em 2018

Durante seu curto mandato, não foram encontradas declarações públicas específicas sobre o HEURO.


🗣️ Marcos Rocha (PSL/União Brasil) – Governador desde 2019

2019 – Anúncio de recursos para o início das obras:

“A expectativa é que o Heuro seja concluído no prazo de 4 anos, mas com união de esforços que possam encurtar o prazo para 2 anos.”

Na ocasião, o governador destacou a disponibilização de R$ 50 milhões pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE-RO) para garantir o início das obras do HEURO.

2021 – Liberação da licitação da obra:

“Rondônia terá um hospital de urgência à altura das necessidades de sua população.”

Durante a solenidade de abertura do Fórum Estadual de Prefeitos e Vereadores, o governador anunciou a decisão do TCE que liberou a licitação da obra do novo hospital.

2023 – Anúncio do consórcio responsável pela gestão do novo HEURO:

“Esse novo hospital vai fazer com que tenhamos uma estrutura de qualidade, com características de um hospital privado, mas com atendimento disponível, gratuitamente, para toda a população ser tratada com mais dignidade.”

O consórcio Saúde Rondônia foi o vencedor do certame e terá a concessão por 30 anos.

2025 – Cancelamento do contrato para construção do HEURO:

“Nós temos três hospitais que se voluntariaram a vender para o Estado de Rondônia. Nós estamos trabalhando junto com o Tribunal de Contas para poder fazer o quanto antes essa aquisição desse hospital e atender a essa demanda da população.”

Em entrevista, o governador anunciou a decisão de não dar continuidade ao contrato para a construção do novo HEURO, optando pela aquisição de um hospital já existente.


⚰️ Um Hospital que Nunca Nasceu

Ele teria 399 leitos, 60 UTIs, dez salas cirúrgicas, heliporto, centro de imagem, hemodinâmica. Uma estrutura de primeiro mundo, num estado em que pacientes esperam por maca nos corredores.

Mas a única coisa que nasceu foi a frustração.


🧭 Linha do Tempo da Ilusão

📍 2012 – Confúcio Moura (PMDB)

Foi o primeiro a anunciar o HEURO.
R$ 100 milhões prometidos. Nenhum centímetro de obra. Um sonho ainda em fase embrionária.

📍 2015 – Confúcio Moura (reeleito)

Reforçou o discurso.
A Operação Murídeos revelou fraudes e contratos suspeitos. O projeto agonizou.

📍 2018 – Daniel Pereira (PSB)

Assume por oito meses.
Reitera a promessa, mas não move um tijolo.

📍 2019 – Marcos Rocha (União Brasil)

Relança o HEURO. Cria o Fun-Heuro. Muda o local. Leva o projeto à Bolsa de Valores.
Assina contrato com o Consórcio Vigor Turé.
Mas, até 2025, nada foi construído. Contrato rompido. Esperança enterrada.

2026 SERÁ MAIS UM ANO DE PROMESSAS, VOCÊ CAIRÁ NOVAMENTE NAS MESMAS MENTIRAS ?


📉 O Preço da Mentira

Item Valor (R$) Realidade
Projeto original (2012) 100 milhões Engavetado
Contrato com consórcio Vigor Turé (2021) 1,04 bilhão Rompido em 2025
Gestão hospitalar sem hospital (2023) 28,5 milhões Contrato pago
Estudos, consultorias, fundo ~50 milhões* Sem transparência
Total estimado ~R$ 178,5 milhões Nenhuma obra

*Estimativa com base em contratos indiretos e gastos do Fun-Heuro.


🏚️ O que se vê no lugar do hospital?

Um terreno tomado pelo mato. Um canteiro que nunca foi ativado. Um portão trancado. Um silêncio sepulcral.
E enquanto isso, o João Paulo II segue como sala de emergência de um sistema em colapso — com pacientes nos corredores, médicos exaustos e mortes que poderiam ser evitadas.


 

⚠️ Rondônia, até quando?

A pergunta que ecoa entre os corredores superlotados do João Paulo II e os papéis esquecidos no fundo de uma gaveta de licitações é simples:
Até quando vamos aceitar que promessas de campanha substituam políticas públicas reais?

Porque o HEURO virou isso: uma lápide simbólica no cemitério das esperanças de Rondônia.