A floresta amazônica está prestes a enfrentar um dos períodos mais críticos de sua história recente. De acordo com uma projeção alarmante da Organização Meteorológica Mundial (OMM), os anos de 2025 a 2029 deverão ser marcados por secas intensas e prolongadas, provocadas pelo aumento constante das temperaturas globais.
O relatório climático, divulgado nesta quarta-feira (28), indica que o planeta continuará aquecendo a ponto de igualar ou até superar os recordes de calor registrados em 2024 — o ano mais quente em 175 anos de medições. E a Amazônia será uma das regiões mais vulneráveis.
CADA GRAU CONTA: COMO O AQUECIMENTO GLOBAL ESTÁ TRANSFORMANDO A AMAZÔNIA
Segundo cientistas, ultrapassar a marca de 1,5°C de aquecimento pode desencadear eventos climáticos extremos com intensidade sem precedentes. “Cada fração de grau causa impacto”, alerta a comunidade científica. Esses efeitos vão desde a redução do nível dos rios e poços até mudanças radicais nos modos de vida das populações tradicionais e na economia regional.
O pesquisador Gilvan Sampaio, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), aponta que o aquecimento das águas do Oceano Atlântico e mudanças em outras regiões do planeta, como o Sahel, aumentam o risco de seca especialmente no norte, leste e sudoeste da Amazônia.
O FUTURO JÁ ESTÁ ACONTECENDO: SECAS, CHUVAS EXTREMAS E CALOR FORA DO PADRÃO SERÃO A NOVA REALIDADE
A elevação da temperatura na superfície terrestre também acelera a formação de nuvens densas e volumosas, o que provoca chuvas muito intensas. Isso significa que a região amazônica poderá alternar entre secas severas e tempestades violentas, tornando o clima ainda mais imprevisível e desafiador para a agricultura, a navegação e a vida nas comunidades ribeirinhas.
“O aumento gradativo da temperatura global significa que os eventos extremos — como secas, ondas de calor e chuvas volumosas — se tornarão cada vez mais frequentes”, afirma Sampaio.
CIÊNCIA EM AÇÃO: 220 MODELOS CLIMÁTICOS ALERTAM PARA UMA DÉCADA DECISIVA
O relatório foi desenvolvido a partir de um extenso conjunto de 220 modelos climáticos, elaborados por 15 centros de pesquisa internacionais, sob coordenação do Met Office, órgão britânico que atua como referência da OMM. O estudo também traça um panorama das mudanças climáticas dos últimos cinco anos, conectando passado, presente e futuro em um alerta global.

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