A Justiça de Rondônia liberou na quarta-feira (6) Railson Ferreira da Silva, acusado de ser o motorista da fuga no brutal assassinato que chocou Porto Velho. O homem ajudou Vinícius Wallace a escapar após este invadir a casa da ex-namorada Jaiane Lemos e executá-la junto com o amigo dela, Everaldo Oliveira.

O crime que abalou a capital aconteceu em abril de 2024, quando Vinícius pulou o muro da residência e atirou contra as vítimas na frente da filha do ex-casal, uma criança de menos de dois anos. As câmeras de segurança registraram toda a ação: enquanto o assassino invadia a propriedade, Railson manobrava o carro e aguardava em frente ao portão para a fuga.

A EXECUÇÃO PLANEJADA

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As imagens mostram Vinícius escalando o muro com cerca elétrica e permanecendo cerca de um minuto dentro da casa. Nesse tempo, Railson posicionou estrategicamente o veículo. Após os disparos fatais, o executor pulou novamente o muro, entrou no carro e os dois fugiram juntos.

Jaiane foi encontrada morta ao lado da filha de 1 ano e 8 meses. Uma adolescente de 14 anos também presenciou o massacre. Quatro dias depois, Vinícius se entregou à polícia.

LIBERDADE CONTROVERSA

Após 15 meses preso, Railson conquistou a liberdade provisória. O juiz baseou a decisão no fato de ele ser réu primário, ter residência fixa, emprego, família constituída e bom comportamento no cárcere. Também pesou a ausência de tentativas de atrapalhar as investigações ou ameaçar testemunhas.

Para permanecer livre, o acusado deve seguir rígidas medidas cautelares:

Recolhimento domiciliar das 20h às 6h

Proibição de frequentar bares, prostíbulos e casas noturnas

Não pode deixar a cidade por mais de 30 dias sem autorização

Comparecimento obrigatório a todas as etapas processuais

MINISTÉRIO PÚBLICO REAGE

O Ministério Público de Rondônia já anunciou recurso contra a decisão, alegando não haver justificativa legal para a soltura. A medida gerou revolta entre familiares e amigos das vítimas, que organizaram mobilizações pedindo justiça.

"Ela foi assassinada com a nenê no colo, ficou na porta protegendo a minha enteada de 14 anos e o Everaldo, ela ficou lutando até o final. A gente tá passando uma dor muito grande e eu peço justiça", desabafou Rosa Maria, mãe de Jaiane, ao g1.

JÚRI POPULAR EM VISTA

Tanto Railson quanto Vinícius foram pronunciados e responderão por feminicídio e homicídio qualificado em júri popular. O processo contra Vinícius inclui agravantes como motivo torpe, meio cruel, uso de arma de fogo restrita, violência doméstica e crime cometido na presença da filha.

A data do julgamento ainda não foi definida, já que os réus recorreram da decisão de pronúncia. Enquanto isso, a dor das famílias permanece, e a busca por justiça continua mobilizando a sociedade rondoniense.

O caso evidencia a gravidade da violência doméstica e o planejamento frio de um crime que destruiu vidas e deixou uma criança órfã. A comunidade aguarda que a Justiça seja efetivamente feita.