O nome soa inofensivo, quase tecnológico: Mounjaro. Mas por trás da promessa de emagrecimento rápido e drástico, o medicamento — originalmente desenvolvido para tratar diabetes tipo 2 — está se tornando uma nova febre perigosa entre rondonienses em busca do corpo perfeito.

Em academias, consultórios e, principalmente, nas redes sociais, o Mounjaro vem sendo exaltado como o “milagre do emagrecimento moderno”. Celebridades e influenciadores compartilham resultados impressionantes — muitos perdendo mais de 10 quilos em poucas semanas. Mas o que quase ninguém fala é o preço alto que pode vir junto com a balança mais leve.

O QUE É O MOUNJARO E POR QUE ELE VIROU UMA SENSAÇÃO

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O Mounjaro, cujo princípio ativo é tirzepatida, foi aprovado pela Anvisa para o tratamento do diabetes tipo 2. A substância age regulando o apetite e controlando os níveis de açúcar no sangue, o que naturalmente leva à perda de peso.

Com o sucesso de medicamentos similares, como o Ozempic, a procura pelo Mounjaro explodiu — mesmo entre pessoas sem diagnóstico de diabetes. Em farmácias e clínicas de Rondônia, o relato é o mesmo: a demanda é tão alta que o produto praticamente desapareceu das prateleiras.

EFEITOS COLATERAIS ASSUSTADORES

Apesar dos resultados rápidos, médicos alertam que o uso indiscriminado pode causar fortes efeitos colaterais, como náuseas intensas, vômitos, diarreia, pancreatite e até complicações graves no fígado.

Segundo especialistas, o risco é ainda maior quando o medicamento é usado sem prescrição médica ou acompanhado de dietas extremas. “As pessoas estão trocando saúde por estética, e isso é extremamente perigoso”, alerta o endocrinologista Dr. Rafael Moura, em entrevista ao portal.

VENDA IRREGULAR E AUTOAPLICAÇÃO SEM ORIENTAÇÃO

Outro ponto preocupante é a venda irregular em sites e redes sociais, muitas vezes sem controle ou receita. Há casos de pessoas aplicando o medicamento em casa, sem acompanhamento médico e sem saber dos riscos.

A Anvisa já emitiu alertas e reforçou que o uso deve ser restrito a pacientes com diabetes tipo 2, sob prescrição e acompanhamento de especialistas.

FEBRE NAS FARMÁCIAS DE RONDÔNIA

Em Porto Velho e Ji-Paraná, farmacêuticos relatam falta do produto há semanas. Em alguns casos, o Mounjaro é vendido apenas sob encomenda e com fila de espera de até 20 dias.

Segundo levantamento feito pela reportagem, o preço da caneta de 15 mg ultrapassa R$ 3.800, e há relatos de vendas informais por valores ainda maiores — em grupos de WhatsApp e páginas do Instagram.

Uma farmacêutica da capital, que pediu para não ser identificada, afirmou que a busca disparou após influenciadores locais mostrarem resultados rápidos. “Tem gente ligando todo dia, dizendo que viu no TikTok e quer comprar. Quando informamos que precisa de receita, muitos desistem”, conta.

MÉDICOS DE RONDÔNIA SOAM O ALERTA

O nutrólogo Sandro Ferraz, CEO do Instituto Evollution, reforça que o uso sem acompanhamento pode trazer consequências graves.

“Esses medicamentos exigem controle rigoroso. Em locais sem fiscalização, há risco real de substâncias adulteradas, concentração incorreta ou até ausência do princípio ativo. Isso pode causar infecções graves, reações alérgicas, intoxicações e até morte”, alerta o especialista.

Ele destaca ainda que o Mounjaro precisa permanecer refrigerado entre 2ºC e 8ºC. Em locais como feiras ou transporte inadequado, o produto perde eficácia e pode se tornar perigoso.

A CORRIDA PELO CORPO PERFEITO PODE COBRAR UM PREÇO ALTO

Enquanto o Mounjaro continua viralizando como o “atalho” para o emagrecimento, cresce o número de relatos de efeitos adversos e internações em todo o país.

Em meio à euforia das redes e à pressão estética, especialistas reforçam o recado:

“Não existe milagre seguro. Só existe saúde com responsabilidade.”