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Quarta-feira, 10 de Dezembro de 2025
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STF DECIDE HOJE SE BOLSONARO E ALIADOS SE TORNAM RÉUS POR TENTATIVA DE GOLPE

JULGAMENTO PODE ABRIR CAMINHO PARA PROCESSO CRIMINAL CONTRA EX-PRESIDENTE E EX-MINISTROS

STF DECIDE HOJE SE BOLSONARO E ALIADOS SE TORNAM RÉUS POR TENTATIVA DE GOLPE
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A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) retoma nesta quarta-feira (26) o julgamento que pode tornar réus o ex-presidente Jair Bolsonaro e sete de seus aliados em uma investigação sobre a suposta tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022. A decisão será tomada com base na denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR), que aponta indícios de que o grupo tentou invalidar o resultado do pleito e manter Bolsonaro no poder de forma ilegal.

Caso os ministros aceitem a denúncia, os acusados passarão à condição de réus e responderão a uma ação penal. Se a denúncia for rejeitada, o caso será arquivado sem punições.

O QUE ESTÁ SENDO JULGADO?

Este julgamento não trata ainda da culpa ou inocência dos envolvidos. Nesta fase, os ministros do STF estão analisando se há indícios mínimos para justificar a abertura de um processo criminal. Se a denúncia for aceita, a ação penal seguirá para a fase de instrução, com coleta de depoimentos e provas. Apenas depois desse período será realizado um julgamento de mérito, no qual os ministros decidirão se os acusados são culpados ou não.

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A denúncia da PGR sustenta que os investigados participaram de articulações para enfraquecer o sistema eleitoral e fomentar um ambiente de instabilidade política, o que culminou nos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023, quando extremistas invadiram e depredaram as sedes dos Três Poderes em Brasília.

QUEM SÃO OS ACUSADOS?

O chamado Núcleo 1 da investigação reúne figuras-chave do governo Bolsonaro, que teriam atuado na suposta trama golpista:

  • Jair Bolsonaro, ex-presidente da República;
  • Alexandre Ramagem, ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin);
  • Almir Garnier Santos, ex-comandante da Marinha do Brasil;
  • Anderson Torres, ex-ministro da Justiça e ex-secretário de Segurança Pública do DF;
  • Augusto Heleno, ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI);
  • Mauro Cid, ex-ajudante de ordens da Presidência;
  • Paulo Sérgio Nogueira, ex-ministro da Defesa;
  • Walter Braga Netto, ex-ministro da Casa Civil e ex-candidato a vice-presidente na chapa de Bolsonaro.

A denúncia os acusa de conspirar para manter Bolsonaro no poder por meio de medidas ilegais, incluindo a disseminação de desinformação sobre o sistema eleitoral e a construção de narrativas falsas para deslegitimar o resultado das urnas.

COMO FOI A PRIMEIRA ETAPA DO JULGAMENTO?

Na terça-feira (25), o STF deu início ao julgamento com a leitura do relatório do ministro Alexandre de Moraes, responsável pelo caso. Em seguida, a PGR apresentou sua argumentação, afirmando que há provas suficientes para transformar os investigados em réus.

Os advogados de defesa tentaram barrar o andamento do processo, alegando que:

  1. O STF não teria competência para julgar o caso.
  2. O julgamento deveria ocorrer no plenário do STF, e não na Primeira Turma.
  3. O ministro Alexandre de Moraes não seria imparcial.
  4. A delação premiada do ex-ajudante de ordens Mauro Cid seria inválida.

Todas essas tentativas foram rejeitadas pelos ministros, permitindo a continuidade do julgamento.

O QUE VAI ACONTECER HOJE?

Nesta quarta-feira, o relator do caso, Alexandre de Moraes, será o primeiro a apresentar seu voto. A sequência dos votos seguirá com os ministros Flávio Dino, Cármen Lúcia, Luiz Fux e Cristiano Zanin, presidente da Primeira Turma.

Caso a maioria dos ministros aceite a denúncia, os acusados se tornarão réus e o processo seguirá para a fase de instrução, na qual testemunhas serão ouvidas e novas provas poderão ser incluídas. Não há um prazo definido para que o julgamento de mérito aconteça.

Se os acusados forem condenados no futuro, as penas serão definidas individualmente, levando em conta o grau de participação de cada um na suposta tentativa de golpe.

POR QUE ESSE JULGAMENTO É IMPORTANTE?

A decisão do STF pode ser um marco na Justiça brasileira, estabelecendo um precedente sobre a responsabilização de agentes públicos que atuam contra a democracia. Além disso, a abertura da ação penal pode ter impacto político significativo, influenciando o cenário eleitoral e o futuro de Bolsonaro e seus aliados.

A sociedade e o meio político acompanham de perto o desdobramento desse julgamento, que pode moldar o entendimento jurídico sobre tentativas de ruptura institucional no Brasil.

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