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Por Marcio Lu Senna
A recente isenção do DPVAT em Rondônia e em outros estados levanta um debate que vai muito além da simples economia para o bolso do motorista. A questão é: estamos abrindo mão de uma garantia essencial para economizar a curto prazo, sem pensar no impacto que isso pode ter em nossa segurança coletiva?
Desde a sua criação, o DPVAT (Seguro de Danos Pessoais Causados por Veículos Automotores de Via Terrestre) tem funcionado como um amparo para as vítimas de trânsito, uma espécie de “rede de segurança” que abrange não apenas motoristas, mas também passageiros e pedestres. Em 2019, o seguro indenizou quase 350 mil pessoas em todo o país – um dado que revela o impacto e a necessidade dessa proteção, especialmente em estados como Rondônia, onde o índice de acidentes está entre os mais elevados da região Norte.
Quando falamos da suspensão da cobrança do DPVAT, estamos diante de uma questão de escolha. Sim, deixar de pagar o seguro representa uma economia para muitos motoristas em um momento de aperto financeiro. Mas o que acontece quando um acidente ocorre e não há mais aquele recurso garantido para cobrir despesas médicas, invalidez ou até mesmo auxiliar as famílias das vítimas fatais? Para quem o peso das consequências acaba recaindo?
Com a ausência do DPVAT, casos de acidentes com ferimentos graves podem sobrecarregar o já fragilizado sistema público de saúde e assistência social. E se o ônus da cobertura recair sobre o Estado, quem, em última análise, estará bancando essa conta? É justo esperar que hospitais e serviços sociais já sobrecarregados lidem com o aumento na demanda sem o amparo do seguro que antes ajudava a amortecer esses impactos?
No fundo, a questão transcende o aspecto financeiro imediato e toca na responsabilidade coletiva pela segurança no trânsito. A decisão de suspender a cobrança do DPVAT pode parecer um alívio momentâneo, mas, a longo prazo, ela apresenta o risco de desamparo às vítimas de acidentes e seus familiares.
A discussão, então, está lançada: estamos realmente preparados para as consequências? Enquanto esperamos por uma solução ou um novo modelo de seguro obrigatório, talvez seja prudente que cada motorista reflita sobre o valor de ter uma cobertura em caso de acidente.
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RO24H Notícias
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