uma denúncia considerada gravíssima veio à tona durante audiência pública na Assembleia Legislativa de Rondônia e colocou o Comando-Geral da Polícia Militar no centro de uma nova e delicada crise institucional. O alvo é o comandante-geral da Polícia Militar de Rondônia, coronel Régis Braguin, acusado, segundo boletim de ocorrência, de agressão contra uma mulher. Por razões de segurança, o nome da vítima e detalhes do caso não são divulgados.
A denúncia foi apresentada publicamente pelo vereador de Porto Velho Fernando Silva, que, no uso da tribuna, fez uma afirmação contundente: "O senhor é um comandante ditador, um comandante que gosta de bater e espancar mulher." A fala, no entanto, foi abruptamente interrompida pelo deputado Eyder Brasil, apesar de o vereador estar amparado por prerrogativas parlamentares. A interrupção causou forte reação no plenário e entre os que acompanhavam a audiência online, levantando questionamentos imediatos sobre o motivo do cerceamento: por que impedir a exposição de uma informação dessa gravidade?
Após o episódio, o deputado Delegado Camargo dirigiu-se pessoalmente ao vereador e teve acesso ao boletim de ocorrência mencionado, tomando ciência formal do registro policial. A partir daí, o parlamentar fez um pronunciamento duro, de tom investigativo e institucional, destacando a gravidade do conteúdo revelado e o que classificou como afronta direta às imunidades parlamentares.
Segundo Camargo, o ponto mais alarmante não foi apenas a existência da denúncia, mas o fato de um vereador eleito, oriundo da própria tropa, ter tido sua fala interrompida ao noticiar, em tribuna, uma possível agressão contra mulher envolvendo o comandante da PM. O deputado ressaltou que não cabe julgamento prévio, mas que a simples existência do registro exige apuração rigorosa. Ele ainda frisou que o boletim de ocorrência foi despachado por Lucas Torres, delegado de polícia à época, cuja atuação profissional foi descrita como séria e técnica, o que reforça a necessidade de investigação responsável.
No mesmo pronunciamento, Camargo direcionou questionamentos diretos ao governador Marcos Rocha e à primeira-dama Luana Rocha, afirmando que a Polícia Militar de Rondônia é composta majoritariamente por homens e mulheres honrados, praças e oficiais dignos, mas que a instituição não pode carregar a sombra de uma acusação dessa natureza sem resposta do Estado. Para ele, permitir que um comandante permaneça no cargo sob a suspeita de um crime tão grave compromete a imagem de toda a corporação.
O deputado anunciou que encaminhará o caso à comissão de deputadas mulheres da Assembleia, ao Ministério Público, à Corregedoria da Polícia Militar e a todos os órgãos competentes, para que o fato seja apurado de forma profunda, técnica e isenta. Em tom ainda mais incisivo, afirmou que, diante de notícias dessa magnitude, não há condições políticas, morais ou institucionais para a permanência do comandante no cargo, defendendo publicamente sua exoneração imediata como medida de preservação da instituição.
Camargo também criticou a postura do comandante durante a audiência, apontando desconhecimento básico de temas constitucionais e administrativos, inclusive ao tratar do processo de anistia, cuja iniciativa, segundo o parlamentar, é claramente do Poder Legislativo, conforme estabelece a Constituição Federal. Para ele, a soma de denúncias, falhas técnicas e episódios de constrangimento público demonstra incapacidade para conduzir uma instituição centenária como a Polícia Militar.
O caso agora ganha contornos de crise política e institucional, com potencial de repercussão nacional, à medida que envolve denúncia de violência contra a mulher, possível violação de prerrogativas parlamentares e questionamentos diretos ao chefe do Executivo estadual. A expectativa é de que os órgãos de controle se manifestem nos próximos dias, enquanto cresce a pressão por respostas claras, investigação rigorosa e medidas concretas para proteger a credibilidade da Polícia Militar de Rondônia.

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